Há coisas que o dinheiro não compra de volta. Uma delas é o rio Paraopeba.

Sete anos após o rompimento da barragem B1 da Vale, em 25 de janeiro de 2019, o Paraopeba ainda não voltou ao que era. A lama de rejeitos de mineração que percorreu 300 quilômetros do rio destruiu ecossistemas que levam décadas para se recuperar — quando se recuperam.

O que foi feito

A Vale pagou, até hoje, cerca de R$ 37 bilhões em indenizações, reparações e acordos. É um número enorme — e insuficiente. Os 270 mortos não voltam. As famílias que perderam membros receberam indenizações que variam de R$ 300 mil a R$ 1,5 milhão, dependendo do grau de parentesco e das circunstâncias.

Muitas famílias aceitaram os acordos por necessidade financeira imediata. Outras recusaram e estão na Justiça, num processo que pode durar anos.

O que não foi feito

A recuperação ambiental do Paraopeba está muito aquém do prometido. Das 30 ações previstas no acordo de reparação firmado em 2021, 12 ainda não foram concluídas, segundo relatório do Ministério Público de Minas Gerais.

A comunidade de Córrego do Feijão, onde ficava a barragem, foi praticamente destruída. Das 500 famílias que viviam ali, menos de 100 voltaram. O resto foi reassentado em outros locais — alguns em casas melhores do que tinham, mas longe das raízes, dos vizinhos, da vida que conheciam.